Eis o comentário (a poesia) da notícia.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

O Povo da Cana


Reportagem editada na Globo Rural ano 22, nº 263, setembro de 2007. Texto de José Augusto Bezerra.


Todo ano repetitivo,

de maio a novembro.

Milhares são os brasileiros

que aqui em São Paulo chegam.

Carentes de quase tudo,

mas providos de esperança

que em suas malas carregam.

São os bóias-frias,

os reis do podão.

Fuga pau-de-arara.

Sina de muitos,

sorte de poucos.

No império vivemos

na queima dos tocos.

A ganhar míseros trocados,

sonhando com bife a cavalo,

batatas ao molho,

goiabada cascão com muito queijo.

Depois, café e cigarro

e de uma mulata, um beijo.

No domingo, num bar

onde tantos são iguais.

Enchem-se de mentiras

para o cansaço suportar.

Deixando de ser bóias-frias

onde se tornam pais-de-santo,

flagelados passistas,

pingentes balconistas.


Murilo Conti Vieira

04/09/07



Um comentário:

Ana disse...

Uau!!!
Gostei dessa. Ficou muito legal.