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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Detento passa em 5 faculdades, mas é impedido de estudar por Justiça do DF



Com 34 anos de idade e preso há 15, João* pode ser considerado um expert dos vestibulares. Entre 2013 e 2015, ele ganhou cinco bolsas de estudos em faculdades do Distrito Federal. Ganhou, mas não levou. Apesar de deixar a penitenciária, em Brasília, diariamente para trabalhar como auxiliar administrativo, a Justiça não o liberou para sair do local para estudar.
Por causa de decisão judicial, que alega que João* não cumpriu o 1/4 da pena (de 72 anos por roubo de carros e formação de quadrilha) necessário para conseguir a liberação, ele perdeu as quatro bolsas que conseguiu pelo Prouni: duas em relações públicas (em 2013 e 2014) e duas em educação física (em 2014).
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Como ele foi considerado reincidente (por mais de uma condenação), ele só terá direito a saída temporária com ¼ de pena. A última esperança dele é que a Justiça reconsidere um pedido de unificação de pena que foi negado: "Fui punido em dez processos diferentes e por isso deu uma pena tão grande". A unificação acarretaria em redução de pena e faria com João* garantisse o ¼ necessário para estudar.
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João* diz que mesmo com um revés não vai parar de estudar, mas lamentará: "Quando começar a minha liberdade, eu vou tentar construir meu futuro de novo. Mas sinto que estou perdendo tempo. E dois anos é muito tempo e não sei se consigo uma vaga em direito de novo".
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uol Educação – 19/10/2015


Como ser alguém,
se ninguém acredita
que nós podemos?
Como ser alguém,
se aqui dentro
não podemos falar?
Como ser alguém,
se outro alguém
nos retirou a Divindade?

Essa fé que carregamos
nos obscuros labirintos,
infortúnios nossos passos,
estes que estão atravessando
algo muito superior.

Murilo Conti Vieira

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